quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Deputado Wand? Lutador pensa em se candidatar no Paraná em 2014

'Cachorro Louco' nega que vá se aposentar no UFC: Silva x Stann, no sábado, mas pensa no futuro fora do MMA: 'Quero fazer mais pelo esporte'

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Lenda viva do MMA ainda na ativa, o brasileiro Wanderlei Silva estará em ação no UFC: Silva x Stann no próximo sábado contra o americano Brian Stann e garante que ainda não se aposenta desta vez. O veterano de 36 anos de idade, vindo de derrota para o americano Rich Franklin e com apenas três vitórias desde sua última luta no Japão, em 2006, não pensa no retorno a Saitama, local da luta, como uma oportunidade para pendurar as luvas. Entretanto, já pensa no futuro pós-Ultimate e pode continuar batalhando por seu esporte, desta vez em outra arena: a política.

Wanderlei Silva pode, em breve, aparecer de terno e gravata em campanha eleitoral (Foto: Getty Images)

Wand ainda não tornou a ideia oficial, mas está sondando a possibilidade de se candidatar nas eleições de 2014 como deputado estadual no Paraná, seu estado natal. Atualmente residindo em Las Vegas, o curitibano vem conversando com partidos e estudando os trâmites para uma candidatura. Seu objetivo é levar as artes marciais ao povo e trabalhar em prol do esporte.

- Se agradar, por que não? Eu já tenho meu dinheiro, posso me aposentar agora se quiser. Mas, com meu dinheiro, não consigo fazer o social. Você tem que usar o dinheiro que é para o social para isso, para o povo, e eu vejo que as pessoas não usam o dinheiro para o social. Não sei como, numa comunidade, não tem uma academia com tatame e um professor, o mínimo. E você vê milhões e milhões sendo gastos com besteira, e isso revolta a gente - desabafou Wanderlei Silva

É a própria imagem ruim dos políticos no país, porém, que ainda o mantém com um pé atrás na ideia de se candidatar a um cargo eletivo. Adorado pelos fãs como um dos lutadores mais empenhados e "guerreiros" do MMA, Wanderlei espera que o povo enxergue sua visão para o esporte no país.

- O político está muito queimado no Brasil, deixam os caras irem para o "lado negro da força", e isso é uma das coisas que me segura de ir. Mas tem boas pessoas ainda, e temos a bandeira do esporte, que é a parte muito importante da educação. No Brasil, infelizmente, não dá para fazer esporte sem dinheiro. Não vejo ninguém que está abraçando a bandeira da luta 100%, que apóie o esporte, e essa é minha bandeira - afirmou.


Wand sorri em hotel no Japão, ao lado de Marcelo
Guimarães (esq.) (Foto: Reprodução/Instagram)

Antes de seguir adiante com os planos políticos, porém, Wanderlei tem uma luta para vencer no octógono, contra Brian Stann, neste sábado. Será sua primeira luta desde 2006 em Saitama, no Japão, palco de algumas de suas maiores glórias no MMA. Foi na Saitama Super Arena, ginásio que receberá o UFC deste fim de semana, que o "Cachorro Louco" derrotou Kazushi Sakuraba, conhecido como "Caçador de Gracies", em 2001 e ganhou fama no mundo inteiro. No país asiático, Wand passaria 18 lutas e quase quatro anos invicto, como rei absoluto do pesos-médios do Pride. Conter a emoção no retorno será difícil, mas necessário.

- Vai ser um grande momento para mim, mas tenho que me manter focado, que o pessoal está lá para aproveitar o show, mas você não, está para fazer o show. Tenho que me focar no oponente e sair de lá com a vitória.

Confira a entrevista na íntegra:

SporTV: Por que você ficou tanto tempo sem lutar desde sua última luta, em Belo Horizonte, em junho do ano passado?
WANDERLEI SILVA: Eu tive um ano muito movimentado no ano passado, algumas coisas fora do ringue que me deixaram um pouco preocupado. Dei um tempo, mas estou de volta.

Será a sua primeira luta desde o falecimento de seu pai (Sr. Holando Pinheiro da Silva, pai de Wanderlei, morreu em agosto do ano passado, vítima de um acidente de carro). A morte dele influenciou nesse tempo sem lutar?

Foi um dos motivos de não ter lutado antes. Dei um tempo com meu filho, com a família, porque passei muito tempo fora de casa no ano passado. Se bem que, agora, já estou há um mês e meio longe de novo, estava gravando o TUF Brasil - inclusive, vai ser imperdível, esse vai ser excelente. (Rodrigo) Minotauro e (Fabricio) Werdum estão dando show. Eu acertei algumas coisas e estou pronto para continuar.

Já que você mencionou, como foi essa parte da preparação agora no TUF Brasil?
Foi super boa. Estava lá com o Rafael Cordeiro, com o André Dida, que chegou depois, o Fábio Gurgel e o Werdum passando jiu-jítsu, e treinei capoeira com o irmão do Werdum. Os atletas foram muito bem escolhidos. Não só as lutas e os lutadores, mas o programa está muito bom. O pessoal teve umas brincadeiras muito boas, muito interessantes. Se o primeiro foi bom, esse vai disparar.

E como o Werdum está se saindo como técnico?
Ele está muito bem. Foi uma grande surpresa, se mostrou um grande líder. Ele se sai muito bem diante das câmeras, já está acostumado porque é comentarista de um canal nos EUA, e está recebendo muitos elogios da produção. Ele e o Minotauro estão conduzindo muito bem o programa, com brincadeiras muito interessantes.

Voltando à luta: com o que você precisa tomar mais cuidado em relação ao Brian Stann?
Cuidado para não machucar muito ele (risos). Brincadeira, é sacanagem. É um oponente muito bom, que vai para cima, como eu. É com atleta assim que gosto de lutar. É um cara que vem com tudo e dá show. Se Deus quiser, vou fazer um grande combate.

No Japão, Wanderlei Silva foi campeão dos pesos-médios no Pride e virou ídolo (Foto: Marcelo Alonso)

Como você vai controlar suas emoções ao entrar no ginásio em Saitama, onde teve algumas de suas maiores glórias?
Vai ser um grande momento para mim, mas tenho que me manter focado, que o pessoal está lá para aproveitar o show, mas você não, está para fazer o show. Tenho que me focar no oponente e sair de lá com a vitória.

O quão diferente é lutar no Japão para você? Que mudanças na sua rotina você tem de fazer por conta do assédio?
Quando você se torna uma pessoa pública, tem que saber que vai ser abordado na rua, então tem que sair sempre adiantado, nunca pode sair só na hora. Tem que falar com os fãs; se as pessoas gostam de você, não pode mudar muito. Mas, às vezes, eu coloco aquelas máscaras para gripe que eles gostam de usar aqui, sabe? Aí se eu não quiser ser muito incomodado e sair tranquilo, é só colocar aquela máscara e está tudo certo (risos).

Qual foi, para você, o melhor momento de sua carreira no Japão?
Quando eu ganhei a primeira luta contra o Sakuraba, foi um grande momento. Foi quando meu nome realmente despontou e nasceu o Wanderlei Silva. Quando ganhei em 2003 do Quinton Jackson também foi um grande momento. Houve muitos grandes momentos que poderíamos citar, mas esses dois foram os melhores.

Até que ponto a rivalidade a entre BTT e Chute Boxe ajudou a crescer o MMA no Brasil? Acha que a rivalidade entre academias faz falta hoje em dia?
Por um lado, sim, e, por outro, não. Por um lado, a rivalidade era boa, da competição, mas do outro lado não era bom, porque a gente não se falava, não era amigo. Hoje em dia, todo mundo é amigo, todo mundo se ajuda. Agora no TUF, o Minotauro me recebeu bem, ele e o irmão dele, super gente boa, o (Luiz) Dórea me deu um treino de boxe lá na casa (Dórea está na equipe de Minotauro no reality, e Wanderlei estava com Werdum). Está todo mundo entrosado. O lado da rivalidade é legal porque te incentiva a lutar mais, a treinar mais duro, então tudo tem um lado bom e um ruim.

O que mudou do Wanderlei Silva do Pride para o Wanderlei do UFC? Você acha que seu corpo sentiu as consequências de tanto tempo de luas?
Acho que o nosso esporte é muito difícil, e agora que o pessoal está se dando conta disso. Antigamente, não era tão difícil assim. Tem que ser disciplinado, saber o que come, senão não dá. É um esporte muito sacrificante e só vence quem realmente quer, não é fácil.

Como assim? Acha que foi indisciplinado? Poderia ter feito de um jeito diferente?
Na verdade, eu só dei sorte porque sou muito disciplinado. Antigamente, se eu fosse mudar alguma coisa, era mais o estilo do treino. Era um treino muito violento, muito agressivo. Mas isso também me fez ser quem eu sou, me tornou um guerreiro. De novo, tudo tem seu lado bom e seu lado ruim.

Nos últimos meses, você disse que estava virando dirigente e estava inclusive "usando meias pretas". O que exatamente você está fazendo? Está trabalhando com o UFC, está trabalhando do outro lado do cage?
Ainda não, mas com certeza já já vou estar, o esporte abre um leque grande de possibilidades. Eu estou trabalhando agora mais com minha imagem, mas quero fazer mais coisas pelo esporte. Quando você está competindo, não tem como, tem que dar tempo para massagem, fisioterapia, não tem tempo. Quando parar, vou dar mais tempo para divulgar o nosso esporte fora do octógono.

Temos que perguntar: essa luta é a última? Vencendo ou perdendo?
Ainda não, estou me sentindo bem ainda. Mais um pouco ainda.

E a mudança de volta para o Brasil, que você tinha falado anteriormente, sai quando?
Eu estou estudando isso. Talvez sim, talvez não. Várias coisas estão acontecendo no Brasil, eu estou estudando a oportunidade de ser candidato a deputado estadual em 2014. Estou conversando com alguns partidos, estudando os trâmites. Se eu for candidato, volto a morar no Brasil. Quero estudar isso, mostrar minha experiência no MMA e introduzir o esporte no Brasil.

Você já está conversando com partidos? Qual sua orientação política? Direita, esquerda?
Na verdade, a gente tenta ser direita. Uma das coisas é que o político está muito queimado no Brasil, deixam os caras irem para o "lado negro da força", e isso é uma das coisas que me segura de ir. Mas tem boas pessoas ainda, e temos a bandeira do esporte, que é a parte muito importante da educação. No Brasil, infelizmente, não dá para fazer esporte sem dinheiro. Não vejo ninguém que está abraçando a bandeira da luta 100%, que apóie o esporte, e essa é minha bandeira. Se agradar, por que não? Eu já tenho meu dinheiro, posso me aposentar agora se quiser. Mas, com meu dinheiro, não consigo fazer o social. Você tem que usar o dinheiro que é para o social para isso, para o povo, e eu vejo que as pessoas não usam o dinheiro para o social. Não sei como, numa comunidade, não tem uma academia com tatame e um professor, o mínimo. E você vê milhões e milhões sendo gastos com besteira, e isso revolta a gente.





Por:Adriano Albuquerque/SporTV

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