quarta-feira, 27 de maio de 2015

Bethe chama Ronda de "frustrada e louca" e crava: "Quero desmoralizá-la"

Desafiante ao título cita passado da americana, que fez revelações em sua biografia: "Quando mamãe botou pressão, fugiu de casa. Quando perdeu, foi para as drogas"


Em Las Vegas, Bethe Correia detonou a campeã do peso-galo do Ultimate (Foto: Marcelo Barone)

Bethe "Pitbull" Correia trabalha a trocação e o jogo de solo em preparação para a luta contra Ronda Rousey no UFC Rio 7, dia 1º de agosto. Afiadíssima, porém, está sua língua. Destoante dos demais brasileiros por saber promover verbalmente um duelo, a desafiante ao cinturão do peso-galo não aliviou "Rowdy", em entrevista à imprensa brasileira, em Las Vegas, nos Estados Unidos, na última semana.

Com declarações fortes e adjetivos contundentes, Bethe não perdoou nem o passado conturbado da rival, que revelou problemas com drogas em sua biografia. A paraibana tocou na ferida da campeã da categoria - sem dó nem piedade, como pretende fazer no octógono.

- Eu quero nocautear a Ronda, mostrar que ela é uma farsa. Ela disse que deseja trocar, quero ver. Quero desmoralizá-la e provar ao mundo que ela não tem MMA.

A brasileira acredita que o fato de a adversária estar divulgando livro e participando de filmes pode atrapalhar e vê a americana como psicologicamente fraca.

- Ela não é uma pessoa boa de cabeça, precisa se cuidar. Está cheia de gente em volta dela, está vencendo, mas quando cair na real e ver que não é tudo isso, nem sei o que poderá acontecer. Espero que ela não se suicide (risos).


Confira a entrevista na íntegra:
Você acha que os brasileiros pecam nesta parte de promover as lutas fora do octógono?
Provocar não é uma característica do brasileiro. O brasileiro é esquentado, se não resolve no octógono, resolve na rua mesmo. É um povo de muita honra, já o americano troca bastante farpa, se acostuma com provocações. Eu falei só o que sinto, o que penso. Mostrei minhas qualidades e os defeitos da Ronda, que é uma farsa. Há uma marca por cima. Lutei com as amigas da Ronda e joguei na cara dela que estou vencendo. O meu alvo não é a Ronda, é a campeã, por isso, ela é o alvo. Tem muitas meninas boas lutando, vencendo, então tem que ter um diferencial.

Ronda Rousey e Bethe Correia fizeram encarada tensa no Rio de Janeiro (Foto: André Durão)

A Ronda Rousey é superestimada?
Claro que sim. Se você olhar bem, a Ronda nunca mostrou um jogo de MMA. Ela usa apenas o jab para se aproximar e quedar. Ela disse que quer trocar comigo, o que eu adoraria. Quero muito ver o jogo de MMA dela e ver o que acontece. Sou atleta do MMA, então ela está entrando na minha área, na minha zona de conforto. Tenho uma cabeça boa, não fico na defensiva, mas também não vou para cima com tudo. Penso bem no que fazer, com inteligência. Se vier com agressividade ou muito passiva, vai se ferrar comigo. Será a luta mais dura da vida dela, pois ela está me subestimando.

Ela está lançando livro, participando de filmes. Acha que pode se aproveitar disso, pois você está voltada apenas para o UFC Rio 7?
Na verdade, sou muito mais forte, venho de um país subdesenvolvido, onde as pessoas lutam para sobreviver, para não passar fome. É muito diferente da realidade de vida dela.
Bethe Correia


Com certeza, ela está focada em filmes, livros... Estou me preparando para ela. A Ronda fala em ser uma supermulher, uma heroína, mas é uma mulher igual a mim. Na verdade, sou muito mais forte, venho de um país subdesenvolvido, onde as pessoas lutam para sobreviver, para não passar fome. É muito diferente da realidade de vida dela. Sob pressão, ela está se mostrando fraca. Quando mamãe botou pressão, fugiu de casa. Quando perdeu, foi para as drogas. Até sofreu de compulsão de comida ela já teve. Isso não é uma super-heroína. Quando ela sentir a pressão e vir que estarei preparada para lutar contra ela, quero ver qual será a reação que terá. Ela não é uma pessoa boa de cabeça, precisa se cuidar. Está cheia de gente em volta dela, está vencendo, mas quando cair na real e vir que não é tudo isso, nem sei o que poderá acontecer. Espero que ela não se suicide (risos).

A torcida brasileira costuma pressionar os estrangeiros. Acredita que a Ronda irá tremer?
Eu acho que aqui vai pesar, pois estou em casa. Joguei a isca, ela mordeu e está vindo para o meu oceano. Ela quis lutar na minha área. Acredito na torcida do Brasil, que ficará muito feliz de ver o cinturão no país. Os torcedores vão colocar pressão em cima dela. A Ronda é campeã, tem fãs no Brasil, no mundo todo, mas a maioria vai estar do meu lado.

Ela não foi hostilizada no anúncio da luta, no Rio de Janeiro. Isso te surpreendeu?
Não me surpreendeu. Ela é a campeã, é normal ser tietada, os fãs pedirem fotos. Isso é normal, não me abala. Se eu fosse a campeã e chegasse na rua dela, teria gente querendo tirar foto comigo. No fundo, todo brasileiro quer me ver campeã. Sou muito boa psicologicamente. Não fantasio. O cinturão está com ela, então todos querem tirar foto com ela. Quando estiver comigo, todos vão querer. Sou muito amada no Brasil, muito feliz e, quando eu tiver o cinturão, isso vai triplicar.

Brasileira terá ajuda de atletas do judô para ficar afiada no UFC Rio 7, em agosto (Foto: Evelyn Rodrigues)



Você fala de muitas coisas da Ronda, inclusive, da verruga que ela tem no rosto. De onde vem tanta inspiração?
Também não sei (risos). Eu acho que vem da minha espontaneidade, falo o que penso. Toda vez que olho para ela, fixo naquela verruga. Olho para o rosto dela e vejo a verruga. Isso surgiu numa entrevista quando falei que arrancaria a verruga dela. Falo o que penso, o que é uma qualidade, mas, às vezes, acaba sendo um defeito. Quando você fala demais o que pensa, acaba falando coisas desagradáveis. Cada um no UFC tem sua história, a Bethe é essa, a que fala o que vem do coração.

Você vai fazer algum trabalho específico com judocas?

Tenho um judoca, o Vitor, que não sai do meu pé, está me auxiliando todos os dias, horas, minutos e segundos (risos). Meu noivo está até ficando com ciúmes, pois estou quase levando-o para dormir comigo. Não desgrudo dele em nem um minuto. Estou trazendo o Elias e o Eliezer, que já lutaram no mundo todo e uma colega minha, que é competidora e tem quatro lutas de MMA. É uma equipe maravilhosa, de sangue quente, raça e coração em Natal, o que me fortalece bastante. Tem o Edelson (Silva) que está amolando meu boxe, pois quero machucar a Ronda, como todo mundo sabe. A preparação física está voando, tem o Patrício e o Patricky Pitbull. O suporte é grande. O Brasil não precisa ter medo, porque o cinturão ficará aqui.

Você se arrepende de ter falado algo?
Nunca me arrependi de nada do que eu falei. Pelo contrário, me arrependo de não ter falado mais (risos). O que é feito de coração, não tem maldade. É ruim quando você fala mentira, inventa, calunia. Eu, não. Falo o que penso da Ronda. Se eu falo que posso vencer a Ronda, é por que eu acho. Não é para me promover, nem conseguir a luta ou ganhar um dinheiro a mais. Se eu não achasse que poderia vencê-la, não falaria.

Acha que pegou pesado citando problemas pessoais da Ronda?
Eu só falei a verdade, foi um depoimento dela mesma, depois que perdeu nas Olimpíadas. Eu jamais cairia nisso (drogas), tenho 31 anos, passei por situações muito difíceis. Nunca caí nas drogas, nem briguei com a minha mãe e fugi de casa. Meus pais colocavam muita pressão na minha vida. Acompanho gente que passou por situações terríveis e seguraram a onda bem, pois têm a cabeça forte. Não entro em paranoia com medo da vida. Encaro a vida como ela é. Hoje, é ruim, amanhã, pode estar bom. Você chora hoje, mas amanhã se levanta forte.


Em que round e de que forma acaba a luta no dia 1º de agosto?
Quero lutar rápido. Ela quer uma luta longa, eu quero uma luta curta. Geralmente minhas lutas são longas porque solto meu MMA, vou para o chão, bato, a luta sobe... Rola de tudo, é MMA. Eu quero nocautear a Ronda, mostrar que ela é uma farsa. Ela disse que deseja trocar, quero ver. Quero desmoralizá-la e provar ao mundo que ela não tem MMA. A Ronda tem sorte com seu judô, que foi aplicado nas meninas, que se atrapalharam. A meninas que ela lutou são ótimas, mas aposto que se lutarem novamente, vão ganhar da Ronda. A Ronda é cheia de frustrações e está vivendo enclausurada nisso, vivendo nesse conto de fadas. Eu sou realidade, guerreira, mulher brasileira.

Lutadoras costumam trocar farpas e embate será repleto de rivalidade (Foto: André Durão)


Essa é uma luta pessoal para você?
Eu acho que, para ela, se tornou. Estou atrás do meu sonho, quero ser campeã, quero o cinturão. Ela se doeu por eu estar indo atrás do meu sonho. Eu cutuquei, usei as minhas armas. Seria burra se não jogasse na cara dela que estava vencendo as amigas dela. Ela mordeu a isca e vem para o Brasil, a minha casa. Ela fez o que eu queria (risos). O primeiro passo foi esse. Eu queria o desafio, queria lutar no Brasil, ela fez tudo o que eu queria, agora, falta vencê-la.

Acha que o UFC vai dar uma revanche, caso você vença a Ronda?
Eu dou a revanche para ela não chorar tanto. Ela não aguenta a pressão. Dou a oportunidade de ela tentar recuperar o cinturão. Por favor, não se mate, não se suicide, pois lhe darei a revanche.

Por que ela mete medo nas adversárias?
A mídia mostra que ela é uma supermulher, que é imbatível, que vai quebrar o braço de todas. Quando muita gente fala no seu ouvido que você é o máximo, você acaba se sentindo assim. A Ronda se sente a mais bonita. Ela é tão frustrada que até das ring girls ela fala. Ela quer chamar a atenção, é carente. Se falar da trocação, ela fala que bate até em Floyd (Mayweather). Ela é louca. Não falo isso por provocação, se você analisar, vai ver que tenho razão. Ela precisa disso, é carente. Ela necessita de carinho, pois tem um passado de frustrações. Ela tem problemas e precisa da mídia, se sentir uma supermulher, o que a fortalece.

Você fica incomodada por sempre falarem de uma possível luta entre Ronda Rousey e Cris Cyborg?
Não me incomoda em nada. A Cyborg é uma outra análise, nem sabemos como ela será no 61kg. Sou fã dela, não tem nem o que falar, mas o momento é meu. As pessoas que estão me subestimando, que não apostarem em mim, vão perder dinheiro, vão se arrepender. E quem apostar dinheiro em mim vai acordar rico. Eu gosto de ser a "zebra", que achem que a luta vai durar 20s, pois as pessoas vão me valorizar ainda mais quando eu estiver com o cinturão na minha cintura.

Bethe "Correia" Pitbull está invicta no MMA, assim como sua adversária (Foto: Evelyn Rodrigues)



Você lutaria contra a Cyborg?
Claro, luta contra qualquer uma. Ela é uma das grandes lutadoras. Gosto de lutar com as melhores. Sempre quis lutar com a Ronda porque ela é considerada a melhor do momento, então tenho que enfrentá-la. Quando eu estiver com o cinturão, eu serei a melhor. Comigo não tem isso, a Cyborg tem um muay thai muito bonito e seria gostoso e, principalmente, ganhar de meninas assim.

O que você acha da Ronda dizer que não sobe de peso para enfrentar a Cyborg? No lugar dela, faria o mesmo?
A Ronda não estava preparada psicologicamente para lutar com a Cyborg. Ela fez isso para ganhar tempo, para se preparar. A Ronda não tem uma cabeça boa, tem medo de perder esse brilho, medo da derrota, de perder o mimo que o UFC e o mundo têm com ela. Se perder, a Ronda sabe que tudo vai desabar e não tem preparo psicológico para isso. Cada lutador faz o que quer. A Ronda não quis uma luta casada, a Cyborg também não quis descer, então ambas não entraram em acordo. Não vou julgar nenhuma das duas, cada um faz o que quer. Se fosse comigo, eu analisaria a situação, não sei se subiria de peso. Não estou vivendo esse caso.

A Cyborg venceria a Ronda?
Acho que a Ronda seria derrotada até por meninas que já lutaram com ela. Não vejo a Ronda como isso tudo. Ela intimidou as garotas. A ansiedade atrapalhou as meninas. A Cat Zigano tem mais ferramentas que ela, mas não mostrou isso. A Cyborg também poderia vencê-la. Eu vou vencer a Ronda, ninguém é invencível.





Por:Evelyn Rodrigues, Marcelo Barone e Marcelo Russio/Combate

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